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14 de setembro de 2011

sem entrelinhas

Frente da cinemateca francesa - por Bryan Faustino
Palavras são bambas. 
São carniceiras ou mães possessivas.
Palavras não têm cor.
Estão livres de cotas.
Palavras escapam da lama dos mendigos.
Palavras vivem em bordéis e sacristias.
Nunca estão sozinhas.
Vendem a vida por outra palavra.
Palavras não saem pela culatra. 
Têm passado e futuro.
Palavras carregam fome.
São aprendizes de outras palavras.

Palavras se aborrecem.
São polidas, se bem atendidas.
Não têm identidade, nem raízes únicas.
Brotam do soluço dos loucos.
Palavras não têm ideologia.
Palavras ficam firmes, quando empacotadas em bibliotecas.
Não reclamam salários, nem pensão ou fundo de garantia.
Mas palavras não se adaptam.
Perdem a compostura.
Palavras dançam.

Todas as minhas palavras estão aqui
de trás pra frente
de lado,
esquerda,
direita,
para você me enxergar -
nua.


*Post escrito depois de assistir o curta-metragem A janela poética, e ouvir a diretora no debate, após a sessão do filme, perguntar para a plateia: por que você se entrega?; e lembrar as janelas das quais já me debrucei e todas aquelas espelhadas nos meus desejos, que não cessam a busca por outros saltos e novas entregas...

22 de fevereiro de 2010

hoje é segunda

Começar sempre deixa uma sensação de medo. Dá medo de se apaixonar por uma pessoa nova. Emprego novo, casa nova, ter um filho, mudar de cidade... sempre trazem sensações levemente estranhas. E começar pela terceira vez um blog não é diferente. Dá medo não cumprir as expectativas dos amigos... Não saber se conseguirei ter pelo menos três comentários por post dá medo. Ao mesmo tempo, sei que o medo é a cara do novo. Não teria como ser muito diferente, senão viraria marasmo, que pode virar tristeza. Só que tristeza com um punhado de melancolia até é engraçado de sentir... pode dar samba. Porém, tristeza mais deprê nos deixa sem chão... Até que chega algo novinho que nos surpreende e o medo mostra-se mais uma vez e já não temos mais dúvidas que é assim mesmo. O novo vem. O velho vai. Fica a tradição daquilo que vivemos lá, vem a vontade de aguardar o moderno que está para chegar. E nessa brincadeira, neste post fabricado numa segunda-feira pós-carnaval, para este blog de título malemolente, para um ano promissor às paixões, quero criar atmosferas bambas com palavras... por uma voz nova numa literatura literária!